sexta-feira, 29 de abril de 2016

Não creais em todos os Espíritos!





ESE- Cap. XXI Haverá falsos cristos e falsos profetas

Não creais em todos os Espíritos

6. “Meus bem-amados, não creais em qualquer Espírito; experimentai se os Espíritos são de Deus, porquanto muitos falsos profetas se têm levantado no mundo. ” (João, 1ª Epístola, 4:1.)

7. Os fenômenos espíritas, longe de abonarem os falsos cristos e os falsos profetas, como a algumas pessoas apraz dizer, golpe mortal desferem neles. Não peçais ao Espiritismo prodígios, nem milagres, porquanto ele formalmente declara que os não opera. Do mesmo modo que a Física, a Química, a Astronomia, e a Geologia revelaram as leis do mundo material, o Espiritismo revela outras leis desconhecidas, as que regem as relações do mundo corpóreo com o mundo espiritual, leis que, tanto quanto aquelas outras da Ciência, são Leis da Natureza. Facultando a explicação de certa ordem de fenômenos incompreendidos até o presente, ele destrói o que ainda restava do domínio do maravilhoso. Quem, portanto, se sentisse tentado a lhe explorar em proveito próprio os fenômenos, fazendo-se passar por messias de Deus, não conseguiria abusar por muito tempo da credulidade alheia e seria logo desmascarado. Aliás, como já se tem dito, tais fenômenos, por si sós, nada provam: a missão se prova por efeitos morais, o que não é dado a qualquer um produzir. Esse um dos resultados do desenvolvimento da ciência espírita; pesquisando a causa de certos fenômenos, de sobre muitos mistérios levanta ela o véu. Só os que preferem a obscuridade à luz, têm interesse em combatê-la; mas a verdade é como o Sol: dissipa os mais densos nevoeiros.

O Espiritismo revela outra categoria bem mais perigosa de falsos cristos e de falsos profetas, que se encontram, não entre os homens, mas entre os desencarnados: a dos Espíritos enganadores, hipócritas, orgulhosos e pseudossábios, que passaram da Terra para a erraticidade e tomam nomes venerados para, sob a máscara de que se cobrem, facilitarem a aceitação das mais singulares e absurdas ideias. Antes que se conhecessem as relações mediúnicas, eles atuavam de maneira menos ostensiva, pela inspiração, pela mediunidade inconsciente, audiente ou falante. É considerável o número dos que, em diversas épocas, mas, sobretudo, nestes últimos tempos, se hão apresentado como alguns dos antigos profetas, como o Cristo, como Maria, sua mãe, e até como Deus. João adverte contra eles os homens, dizendo: “Meus bem-amados, não acrediteis em todo Espírito; mas experimentai se os Espíritos são de Deus, porquanto muitos falsos profetas se têm levantado no mundo. ” O Espiritismo nos faculta os meios de experimentá-los, apontando os caracteres pelos quais se reconhecem os bons Espíritos, caracteres sempre morais, nunca materiais (1). É à maneira de se distinguirem dos maus os bons Espíritos que, principalmente, podem aplicar-se estas palavras de Jesus: “Pelo fruto é que se reconhece a qualidade da árvore; uma árvore boa não pode produzir maus frutos, e uma árvore má não os pode produzir bons. ” Julgam-se os Espíritos pela qualidade de suas obras, como uma árvore pela qualidade dos seus frutos.

(1). Ver, sobre a maneira de se distinguirem os Espíritos: O livro dos médiuns, 2aParte, cap. XXIV e seguintes.






 Não crer em todos os espíritos, significa considerar que todos nós o somos!

A cumplicidade entre os dois mundos é muito maior do que podemos imaginar, levando em consideração que os afins se atraem, é necessário, muito mais que analisar as manifestações de espíritos, estar atento ao trabalhador por quem chega a comunicação. Não falamos em maldade, mas alertamos para considerar que o homem tem necessidade de sentir-se reconhecido e não importa o ramo a que se dedique sempre buscou ascensão diante de seus semelhantes e por vezes se descuida inebriado pelo orgulho e a vaidade, que muitas vezes encontra eco aos quais as mensagens são direcionadas já que estes últimos buscam respostas ou orientações para suas dúvidas ou projetos. E aí está o perigo, pois se entre nós existem homens capazes de se comprazer com a “inocência” de alguns incautos, imagine do outro lado onde não podemos vê-los, espíritos sem compromisso com sua evolução e a trabalho dos que não se interessam pela mudança comportamental e aprimoramento moral se unem e até mesmo se fundem com encarnados que pouco esclarecidos e mais interessados na sua elevação egocêntrica do que intelecto-moral acabam por formarem uma egrégora avassaladora que vai lentamente envolvendo aqueles que comungam das mesmas ideias ou aspirações, chegando aos níveis de obsessão, subjugação e muitas vezes a fascinação. Então, estejamos atentos às comunicações dos espíritos, não por duvidar de suas mensagens, mas por certificarmo-nos de sua veracidade e fundamento, pois nos foi dito: “ Meus bem-amados, não acrediteis em todo Espírito; mas experimentai se os Espíritos são de Deus, porquanto muitos falsos profetas se têm levantado no mundo. ”       
Adilson Remedi


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