domingo, 8 de maio de 2016

Gentileza gera Gentileza. Uma verdade ou simples força de expressão?



ESE - Cap. X. Bem-aventurados os que são misericordiosos

Instrução dos Espíritos
A Indulgência

16. Espíritas, queremos falar-vos hoje da indulgência, sentimento doce e fraternal que todo homem deve alimentar para com seus irmãos, mas do qual bem poucos fazem uso.

A indulgência não vê os defeitos de outrem, ou, se os vê, evita falar deles, divulgá-los. Ao contrário, oculta-os, a fim de que se não tornem conhecidos senão dela unicamente, e, se a malevolência os descobre, tem sempre pronta uma escusa para eles, escusa plausível, séria, não das que, com aparência de atenuar a falta, mais a evidenciam com pérfida intenção.

A indulgência jamais se ocupa com os maus atos de outrem, a menos que seja para prestar um serviço; mas, mesmo neste caso, tem o cuidado de os atenuar tanto quanto possível. Não faz observações chocantes, não tem nos lábios censuras; apenas conselhos e, as mais das vezes, velados. Quando criticais, que consequência se há de tirar das vossas palavras? A de que não tereis feito o que reprovais, visto que estais a censurar; que valeis mais do que o culpado. Ó homens! Quando será que julgareis os vossos próprios corações, os vossos próprios pensamentos, os vossos próprios atos, sem vos ocupardes com o que fazem vossos irmãos? Quando só tereis olhares severos sobre vós mesmos?

Sede, pois, severos para convosco, indulgentes para com os outros. Lembrai-vos daquele que julga em última instância, que vê os pensamentos íntimos de cada coração e que, por conseguinte, desculpa muitas vezes as faltas que censurais, ou condena o que relevais, porque conhece o móvel de todos os atos. Lembrai-vos de que vós, que clamais em altas vozes: anátema! Tereis, quiçá, cometido faltas mais graves.

Sede indulgentes, meus amigos, porquanto a indulgência atrai, acalma, ergue, ao passo que o rigor desanima, afasta e irrita.
(José, Espírito Protetor, Bordeaux, 1863.)



Gentileza gera Gentileza. Uma verdade ou simples força de expressão?

Considerar que estamos em um mundo de provas e expiações, nos revela que a perfeição não é uma virtude em nossa bagagem, na jornada terrena, portanto sujeitos a cometer erros. O mais correto de hoje pode estar em falta amanhã, então censurar o erro alheio é ato que deve ser avaliado na condição de protagonizar este ato em algum momento de nossa vida.
Quando nos ocupamos em divulgar tais falhas estamos fortalecendo o lado negativo dos acontecimentos formando uma egrégora capaz de atrair e fomentar a perversidade, então convém que reavaliemos nossas atitudes, pois assim trata a indulgencia.
Ser indulgente é ser gentil para com os outros e não nos cabe o direito de julgar quem quer que seja. Antes porem lembremo-nos que; “...com o peso que julgardes também serás julgado...”; se não for para auxiliar quem está em erro, na busca da correção de seus atos, não existe finalidade objetiva comentar ou censurar o erro de outrem. Uma mãe não censura os atos de um filho diante de outro, antes porem chama-o em particular para a conversa orientadora.
Ser indulgente é verdadeiramente praticar a caridade para com o próximo e fazer ao outro aquilo que gostaríamos fosse feito a nós é o princípio da justiça. Assim sendo, através da gentileza que gera gentileza, caminharemos para vivenciar verdadeiramente o amor fraternal.   
Adilson Remedi


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