quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Não turbe vosso coração com as mazelas do mundo!



Não turbe vosso coração com as mazelas do mundo!






João-14:27- “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vô-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”.


        O Cristo disse que estaria indo preparar a morada para nos receber e deixou-nos a paz, não a paz do mundo, mas sim a paz Dele e ainda recomendou para que não perturbássemos nossos corações. Se nos foi dada a paz, porque não conseguimos vivenciar esta paz? Porque estamos em constantes conflitos? Porque não podemos viver em harmonia com nossos semelhantes?  
 

       O homem inserido no mundo vive em constante busca da felicidade. No entanto, nessa busca desenfreada a que se lança, envolve-se diariamente em diversos conflitos com seus semelhantes, pois que atrela a felicidade as conquistas materiais o que ocasiona a concorrência, haja vista que todos estão voltados à satisfação pessoal e quando se deparam com o enfrentamento não medem esforços para serem os vencedores. Porém, essa conquista da pretensa felicidade é efêmera porque logo haverá outro objeto de satisfação a ser alcançado e é exatamente essa rotina que ocasiona as dificuldades na convivência em sociedade gerando a inveja, a arrogância, o egoísmo, mergulhando o homem em severas dificuldades que em sua imensa maioria foram criadas por ele mesmo na grande preocupação de TER cada vez mais, quando ao invés estivesse voltado ao SER aliviaria muito sofrimento seu e dos que o circundam.


         Não estamos aqui condenando as conquistas que trazem conforto e facilidade ao homem, pois essa é a lei e aqui nos encontramos para fazer evoluir a humanidade, mas é necessário que façamos uma reflexão a respeito do assunto e entendamos que se faz urgente uma mudança de comportamento em relação ao uso dos recursos naturais que aqui se encontram a nossa disposição, levando em conta, que o dia de hoje, foi construído ontem e o de amanhã estamos construindo agora. É preciso compreender que não estamos deixando o planeta para os nossos sucessores, mas sim para nós mesmos. Entretidos que nos encontramos na corrida em busca da felicidade, não percebemos que estamos angariando cada vez mais dificuldades, que poderão ser resolvidas aqui ainda neste tempo ou não, nos comprometendo para o futuro. Assim perdemos oportunidades de ouro para solucionar conflitos, muitas vezes milenares, com as pessoas que nos cercam o que traria a nós uma felicidade verdadeira e duradoura já que estaríamos resolvendo problemas que afligem o espírito eterno que habita em nós.


         Não se deixar perturbar pelas mazelas do mundo, não reside em afastar-se da realidade, mas está diretamente relacionado com a forma como encaramos a vida, levando em conta que não estamos aqui para competir com ninguém que não seja nós mesmos, na busca de sermos a cada dia melhor do que no dia anterior, solucionando as mazelas que carregamos em nosso coração estaremos auxiliando na solução das mazelas do mundo, pois o ambiente em que vivemos é consequência de nossos atos.

         Cumpramos o que é esperado de cada um de nós vivenciando fraternalmente a paz que o Cristo nos deixou.

domingo, 29 de maio de 2016

Piedade! um degrau na escada evolutiva.



ESE- Cap. XIII. Que a vossa mão esquerda não saiba o que dá a vossa mão direita

Instrução dos Espíritos
A Piedade

17 – A piedade é a virtude que mais vos aproxima dos anjos. É a irmã de caridade que vos conduz para Deus. Ah! Deixai vosso coração enternecer-se, diante das misérias e dos sofrimentos de vossos semelhantes. Vossas lágrimas são um bálsamo que derramais nas suas feridas. E quando, tocados por uma doce simpatia, conseguis restituir-lhes a esperança e a resignação, que ventura experimentais! É verdade que essa ventura tem um certo amargor, porque surge ao lado da desgraça; mas se não apresenta o forte sabor dos gozos mundanos, também não traz as pungentes decepções do vazio deixado por estes; pelo contrário, tem uma penetrante suavidade, que encanta a alma.
A piedade, quando profundamente sentida, é amor: o amor é devotamento é o olvido de si mesmo; e esse olvido, essa abnegação pelos infelizes, é a virtude por excelência, aquela mesma que o divino Messias praticou em toda a sua vida, e ensinou na sua doutrina tão santa e sublime. Quando essa doutrina for devolvida à sua pureza primitiva, quando for admitida por todos os povos, ela tornará a Terra feliz, fazendo reinar na sua face à concórdia, a paz e o amor.
O sentimento mais apropriado a vos fazer progredir, domando vosso egoísmo e vosso orgulho, aquele que dispõe vossa alma à humildade, à beneficência e ao amor do próximo, é a piedade, essa piedade que vos comove até as fibras mais íntimas, diante do sofrimento de vossos irmãos, que vos leva a estender-lhes a mão caridosa e vos arranca lágrimas de simpatia. Jamais sufoqueis, portanto, em vossos corações, essa emoção celeste, nem façais como esses endurecidos egoístas que fogem dos aflitos, para que a visão de suas misérias não lhes perturbe por um instante a feliz existência. Temei ficar indiferente, quando puderdes ser úteis! A tranquilidade conseguida ao preço de uma indiferença culposa é a tranquilidade do Mar Morto, que oculta na profundeza de suas águas a lama fétida e a corrupção.
Quanto a piedade está longe, entretanto, de produzir a perturbação e o aborrecimento de que se arreceia o estremecimento natural e profundo, que faz vibrar todo o vosso ser e vos afeta penosamente. Mas compensação é grande, quando conseguis devolver a coragem e a esperança a um irmão infeliz, que se comove ao aperto da mão amiga, e cujo olhar, ao mesmo tempo umedecido de emoção e recolhimento, se volta com doçura para vós, antes de se elevar ao céu, agradecendo por lhe haver enviado um consolador, um amparo. A piedade é a melancólica, mas celeste precursora da caridade, esta primeira entre as virtudes, de que ela é irmã, e cujos benefícios prepara e enobrece. (Michel; Bordéus; 1862)


Piedade! um degrau na escada evolutiva.

Ser piedoso é ter compaixão com a dificuldade alheia e todos nós de alguma forma ou em algum momento sentiremos em nosso interior esse estremecimento capaz de comover ao mais rude dos homens. Quando isto ocorrer significa que pelo menos por um instante deixamos de lado o egoísmo e o orgulho e conseguimos enxergar ao próximo, se fez despertar em nosso interior a centelha de luz chamada de amor fraternal, flama que deveria incendiar no homem a vontade de socorrer a todos que se encontram em dificuldades doando de si o conforto que cada um necessita. Tornando esses instantes mais duradouros e repetitivos estaremos caminhando em direção a nossa transformação comportamental através da reforma moral tão proferida no meio espirita e colocada como uma necessidade fundamental para a evolução espiritual do homem, mas como saber se estamos no caminho certo para alcançar tal objetivo? Muito simples, analisemos, através do crivo da razão, nos perguntando como reagiríamos frente aos demais, se as atitudes que tomamos no nosso convívio em sociedade, fossem tomadas em relação a nós? Também é possível saber se estamos no caminho apropriado através de nossa consciência; se estivermos em paz com ela, tudo vai bem, mas se ao contrário, recriminarmos alguma coisa, sempre haverá tempo para refazermos nossos passos. Piedade é o amor agindo de forma sublime, um degrau a mais na “escada evolutiva” de onde devemos estar com uma mão estendida ao alto da escada e outra a quem está abaixo, pois se recebemos o auxílio, obrigatoriamente, precisamos auxiliar saindo de nosso mundo para nos colocarmos no lugar do outro e agindo dessa forma estamos praticando a caridade que é o único caminho possível para a salvação.             
Adilson Remedi


domingo, 8 de maio de 2016

Gentileza gera Gentileza. Uma verdade ou simples força de expressão?



ESE - Cap. X. Bem-aventurados os que são misericordiosos

Instrução dos Espíritos
A Indulgência

16. Espíritas, queremos falar-vos hoje da indulgência, sentimento doce e fraternal que todo homem deve alimentar para com seus irmãos, mas do qual bem poucos fazem uso.

A indulgência não vê os defeitos de outrem, ou, se os vê, evita falar deles, divulgá-los. Ao contrário, oculta-os, a fim de que se não tornem conhecidos senão dela unicamente, e, se a malevolência os descobre, tem sempre pronta uma escusa para eles, escusa plausível, séria, não das que, com aparência de atenuar a falta, mais a evidenciam com pérfida intenção.

A indulgência jamais se ocupa com os maus atos de outrem, a menos que seja para prestar um serviço; mas, mesmo neste caso, tem o cuidado de os atenuar tanto quanto possível. Não faz observações chocantes, não tem nos lábios censuras; apenas conselhos e, as mais das vezes, velados. Quando criticais, que consequência se há de tirar das vossas palavras? A de que não tereis feito o que reprovais, visto que estais a censurar; que valeis mais do que o culpado. Ó homens! Quando será que julgareis os vossos próprios corações, os vossos próprios pensamentos, os vossos próprios atos, sem vos ocupardes com o que fazem vossos irmãos? Quando só tereis olhares severos sobre vós mesmos?

Sede, pois, severos para convosco, indulgentes para com os outros. Lembrai-vos daquele que julga em última instância, que vê os pensamentos íntimos de cada coração e que, por conseguinte, desculpa muitas vezes as faltas que censurais, ou condena o que relevais, porque conhece o móvel de todos os atos. Lembrai-vos de que vós, que clamais em altas vozes: anátema! Tereis, quiçá, cometido faltas mais graves.

Sede indulgentes, meus amigos, porquanto a indulgência atrai, acalma, ergue, ao passo que o rigor desanima, afasta e irrita.
(José, Espírito Protetor, Bordeaux, 1863.)



Gentileza gera Gentileza. Uma verdade ou simples força de expressão?

Considerar que estamos em um mundo de provas e expiações, nos revela que a perfeição não é uma virtude em nossa bagagem, na jornada terrena, portanto sujeitos a cometer erros. O mais correto de hoje pode estar em falta amanhã, então censurar o erro alheio é ato que deve ser avaliado na condição de protagonizar este ato em algum momento de nossa vida.
Quando nos ocupamos em divulgar tais falhas estamos fortalecendo o lado negativo dos acontecimentos formando uma egrégora capaz de atrair e fomentar a perversidade, então convém que reavaliemos nossas atitudes, pois assim trata a indulgencia.
Ser indulgente é ser gentil para com os outros e não nos cabe o direito de julgar quem quer que seja. Antes porem lembremo-nos que; “...com o peso que julgardes também serás julgado...”; se não for para auxiliar quem está em erro, na busca da correção de seus atos, não existe finalidade objetiva comentar ou censurar o erro de outrem. Uma mãe não censura os atos de um filho diante de outro, antes porem chama-o em particular para a conversa orientadora.
Ser indulgente é verdadeiramente praticar a caridade para com o próximo e fazer ao outro aquilo que gostaríamos fosse feito a nós é o princípio da justiça. Assim sendo, através da gentileza que gera gentileza, caminharemos para vivenciar verdadeiramente o amor fraternal.   
Adilson Remedi